
O disco do David Byrne com Fatboy Slim, Here Lies Love, conta com inúmeras parcerias (Florence Welch, do Florence + The Machine, Tori Amos, Cyndi Lauper, Róisín Murphy, Camille, etc.) e tem lançamento previsto para 23 de fevereiro, mas já dá para ouvir (no site do David Byrne) a faixa Please Don't, com participação da Santigold:
O disco (duplo com um dvd e um livro de 100 páginas) é baseado na primeira dama das Filipinas, Imelda Marcos.
A inspiração de Byrne em Marcos é narrado no seu excelente livro Diários de Bicicleta:
Recentemente, escrevi uma resenha sobre o livro:
Quer ganhar esse livro na faixa? Clique aqui e saiba como.Diários de Bicicleta é um relato honesto e sensível de David Byrne - ex-líder do influente grupo Talking Heads - sobre suas andanças de bicicleta pelo mundo, veículo que passou a utilizar amplamente a partir dos anos 80 em uma cidade pouco receptiva a este meio de locomoção: Nova York.
Com esta escolha, veio uma descoberta: “eu me sentia mais ligado à vida nas ruas do que jamais seria possível se estivesse dentro de um carro ou de algum tipo de transporte público (…). Para mim , isso era viciante”.
Partindo dessa premissa, Byrne passou a levar uma bicicleta dobrável para praticamente todas as suas viagens e começou a registrar suas impressões em um diário. O livro reúne relatos de Buenos Aires, Berlim, Istambul, São Francisco, Sydney, Nova Jersey, Nova York, Manila (Filipinas) e Londres, além de projetos de paraciclos (estacionamentos de bicicletas) desenhados por Byrne e dicas de segurança, manutenção, capacetes e vestimentas.
Sem deixar de ser crítico, Byrne não perde o bom humor ao narrar suas observações sobre planejamento urbano, arquitetura e o mundo pós-moderno. Recomenda-se uma leitura atenciosa para o capítulo dedicado a algumas cidades dos Estados Unidos, “simpáticas apenas aos carros”. Qualquer semelhança com o planejamento urbano das grandes cidades brasileiras não é mera coincidência.
Por fim, o livro conta com uma deliciosa introdução de Tom Zé, cuja carreira foi re-alavancada por Byrne quando este descobriu o disco Estudando o Samba (1976). Nas palavras de Tom Zé, “no final (do livro), você pode sentir uma vontade louca de subir também numa bicicleta para fazer suas próprias observações e incentivar a reformulação das cidades, das convivências, da poluição, porque uma ideia simples pode provocar um efeito dominó e transformar o mundo”

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