Djs que usam as mãos para fazer um scratch com um disco de vinil não existirão mais:
Via URBe, que também indicou o excelente site do artista, programador e grafiteiro digital Theodore Watson.
PSs:
1- O jornalista Bruno Natal, autor do URBe, dirigiu e produziu (na raça) o ótimo documentário Dub Echoes.
O filme faz parte da programação da edição brasileira do festival de documentários In-Edit e será exibido nos dias 01/07 (20:00 no MIS. R$5,00) e 04/07 (19:30 na Galeria Olido. R$4,00).
Algumas redes de supermercado da Inglaterra censuraram o ultimo álbum do Manic Street Preachers (envolvendo-o em um encarte branco), Journal For Plague Lovers, devido ao conteúdo da capa do disco.
Ok, as obras de Jenny Saville costumam ser polêmicas, além de extremamente realistas e impactantes:
Mas censurá-la por esse motivo?
Sem querer ser clichê, mas sendo, quantas vezes, ao ligarmos a televisão, não somos bombardeados por imagens extremamente impactantes, muitas vezes apresentadas em um contexto demagógico?
Pelo menos, a obra de Jenny Saville possui um propósito no mínimo mais interessante.
Devaneios a parte, os Rolling Stones foram censurados por muito menos. O motivo foi o conteúdo da capa de Beggars Banquet. O responsável pela censura foi a própria gravadora da banda (Decca): Versão Original Versão Censurada No entanto, o ano era 1968...
Dezesseis anos depois (faça as contas... 1984), as edições inglesas do disco voltaram a ser lançadas com a arte original.
O mesmo aconteceu com os Beatles em relação ao álbum Yesterday and Today , de 1966. Versão Original Versão Censurada Neste caso, a capa original nunca foi relançada.
Por sinal, se você tem um LP de Yesterday and Today, lacrado e com a foto original, saiba que ele custa cerca de U$ 5.500,00 no Ebay.
PSs:
1- Em uma recente votação online feita pela Saatchi Gallery (Londres) e pelo The Times, Jenny Saville ficou com a posição de número 79 entre os 200 artistas mais importantes do século 20 até os dias de hoje.
2- A Saatchi Gallery serviu como locação para o filme Ponto Final (2005), de Woody Allen.
Se você estiver em Londres, não deixe de visitá-la!
3- O vocalista original do Manic Street Preaches, Richey James, desapareceu em 1995 sem deixar nenhum vestígio. Seu corpo nunca foi encontrado...
4- Se você quer ver capas de discos realmente impactantes, entre no site gigwise.come confira a lista das 50 capas mais controversas de todos os tempos.
5- Já vou avisando! A capa que ocupa o primeiro lugar é da pesada. Se você tem estômago fraco, como eu, não veja!
6- Como a minha curiosidade é mais forte do que o meu estômago, eu dei uma rápida olhada nesta capa.
Trata-se de um álbum do grupo norueguês de black metal Mayhem.
Além de fazerem parte do Inner Circle, um violento movimento anticristão norueguês responsável por atear fogo em igrejas, os integrantes do Mayhem usaram a foto do corpo do vocalista Per Yngve Ohlin, que havia cometido suicídio (cortando os pulsos e, logo após, dando um tiro na cabeça com uma espingarda),na capa do disco. Detalhe: os membros do Mayhem não só sabiam que Per Yngve Ohlin, mais conhecido como Dead (!!!), ia cometer esta proeza, com também esperaram pela consumação do ato, foram ao local do suicídio e tiraram a foto.
De quebra, pegaram pedaços do seu crânio e usaram como colar.
Não existem psicólogos na Noruega?
Como diria Lou Reed, "eu não tenho medo de Nova York... Eu tenho medo daqueles países nórdicos, como a Noruega. Lá, as pessoas são educadas até demais com você". 7- Não, a banda Inner Circle não tem nada a ver com esse movimento anticristão.
8- A capa mais controversa, na minha opinião, é essa:
Continuando o post sobre o excepcional artista H. R, Ginger, vale à pena conhecer o seu trabalho de designer.
Nesta área, a criação mais conhecida de sua autoria são as soturnas e famosas cadeiras Harkonnen, criadas originalmente para serem usadas no filme Dune, de David Lynch (o que acabou não acontecendo):
Gostou? É possível encomendá-las no site oficial. O único problema é o preço (U$ 45.000,00)...
Se um dia você estiver em Gruyères, Suíça, além de deliciar-se com o queijo que leva o nome da cidade, não deixe de visitar o Museu/Bar do Giger (há outro museu na cidade de Chur, Suíça):
Para ver mais fotos de seu museu/bar, clique aqui.
Existem pelo menos dois documentários interessantes sobre o trabalho de Giger, H.R Ginger´s Sancuary (com imagens do Giger Bar) e H.R Giger Revealed,, além de incontáveis registros sobre o making off de Alien. Veja os trailers (apague a luz):
Além destes dois vídeos, achei um minidocumentário bem legal sobre a confecção de uma cena feita por Giger para a sequência de Alien dirigido por James Cameron em 1986:
De uma forma ou de outra, acabei falando menos sobre as suas pinturas. Vou postar as que mais gosto:
Safari (1976)
Biomechanoid (1976)
Necronom V (1975)
Landscape XIV (1973)
The Spell II (1974)
Erotomechanics V (1979)
Erotomechanics VI (1979. A série inteira é fantástica)
PSs:
1- O Giger, principalmente quando está falando alemão, não lembra o anão da série Twin Peaks (1990)?
2- Vale à pena entrar no site do museu do Giger (apague a luz). Clique aqui.
O primeiro filme dirigido pelo David Lynch (um curta de 4 minutos), Six Figures Men Sick (1966), é bem chato, mas está repleto de diábolicas metáforas semióticas. Assista só para falar aos seus amigos que você já viu:
Já o seu segundo curta, The Alphabet (1968), é mais interessante:
Baseado em um pesadelo que a irmã menor de sua namorada (na época) teve, este curta antecipa a estética claustrofóbica utilizada no seu primeiro longa, o cultuado Eraserhead (1977).
Seu quarto curta, The Amputee (1974), é praticamente um esboço menos humano do que viria a ser um dos seus filmes mais linear, o aclamado O Homem Elefante (1980):
Repare novamente na enfermeira... É o próprio David Lynch!
Eu não vou comentar sobre todos os seis curtas de Lynch (eles estão disponíveis logo abaixo), mas é interessante como o seu estilo tétrico e onírico , influênciado pelas obras surrealistas de Luis Buñel (Cão Anda Luz) e Antonin Artaud, já estava bem estruturado em sua cabeça desde o começo de sua carreira.
Cada curta disponível me remeteu a um longa de Lynch... PSs:
1- O dvd com todos os seis trabalhos iniciais de David Lynch (todos curtas) é chatinho de achar no Brasil. Você pode assisti-los no Youtube, inclusive com os comentários de David Lynch.
2- Ok, eu fiz esse trabalho para você. Segue os links para todos o seis curtas:
3- Sem querer dar uma de superior, algumas pessoas recusam o estilo não linear de Lynch com uma simples afirmação: "É louco de mais para mim!".
Talvez, por estarem acostumadas com filmes que pensem por elas, não fazem o mínimo esforço para tentar entendê-lo...
Solei?
4- Eu ia escrever algo autoral sobre o Erasehead, mas a resenha do filme contida no ilvro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer me deixou sem palavras. Segue um trecho:
"(...) Com sua trama nada convencional, cenário pós-industrial devastado e imagens em preto-e-branco que parecem ter sido extraídas do subconsciente de um neurótico, Erasehead já gerou comparações com a mise-en-scéne expressionista de O Gabinete do Dr. Caligari (1919), a decadência urbana futurística de Metrópolis (1926) e as paisagens de sonho absurdas/surrealistas de Um Cão Andaluz (1929)".
Steven Jay Scheneider
5- Será que os diretores do filme O Chamado (2002) buscaram a inspiração nos curtas de Lynch para criar o "VHS amaldiçoado"?
6- Podem falar o que quiserem, mas eu chorei de rir com a paródia do "VHS amaldiçoado" feita pelo péssimo Scary Movie 3 (Sim, eu vi esse filme do começo ao fim).
No post anterior eu citei o filme Irreversível(2002), de Gaspar Noé.Deixando as críticas de lado, vale (muito) à pena dar uma olhada no makingoff do filme.
A cena do extintor não fica mais "suave" depois da descoberta dos macetes usados? E a criatividade da movimentação da câmera (0:54)?
PSs:
1- E o que a Monica Bellucci é gos... bonita?
2- Os primeiros 30 minutos do filme contém um som de freqüência baixa (28Hz), quase inaudível, similar à frequência gerada por um terremoto.O constante ruído, inserido propositadamente pelo diretor para acentuar a sensação de incômodo, causa náusea e tontura em humanos.
Devido a isso, quando o filme estava em cartaz, muitas pessoas saíam do cinema logo no início da sessão.
3- Na minha humilde opinião, eu achei o filme fantástico, embora não tenha estômago para revê-lo.
Ele nos coloca na posição de "juízes da vingança". Senti um certo alívio na cena do estupro, por exemplo, pois ela legitima o cruel assassinato cometido no começo do filme.
Tive uma sensação similar no final do filme Dogville (2003), de Lars von Trier, quando Grace (Nicole Kidman), após ser abusada de todas as formas, decide exterminar Dogville. Saí do filme me sentindo vitorioso (por ela) e aliviado.A vingança foi justa!
Gaspar Noé e Lars von Trier expuseram o lado podre e inseparável de todo ser humano. Sempre que quisermos, acharemos uma justificativa plausível e isenta de culpa para a violência.Nosso pacto social é frágil...
O Thomas de Bangalter não se limitou a ser apenas um dos robôs do Daft Punk.
O cara foi o principal responsável pelo hino dance dos anos 90, Music Sounds Better With You (1998), lançado sob a alcunha de Stardust (o produtor Alan Braxe e o vocalista Benjamin Diamond também fizeram parte do projeto).
O single alcançou o primeiro lugar em quase todas as paradas da Inglaterra e EUA e ganhou um clipe dirigido pelo Michel Gondry (bem fraquinho por sinal):
Na época, sua gravadora ofereceu três milhões de dólares para a continuidade do projeto. Bangalter recusou!
Não, não foi burrice... Além de ter afirmado que o Stardust morreria com apenas uma música, ele já havia criado o seu próprio selo, o Roulé Labelem 1995.
Arrisco-me a dizer que o Roulé Label, junto com o fundamental Homerwork (1997) do Daft Punk, foram os grandes responsáveis por preparar o terreno da criativa e autoral cena eletrônica francesa.
Ok, Dimitri From Paris, embora nascido na Turquia, já estava rascunhando a gênese do House Francês em meados de 80 (o Air deve muito ao Dimitri, por exemplo), mas Bangalter impulsionou o movimento em progressão geométrica.
M. Dimitri
Sem a criatividade de Bangalter, a visibilidade global do Daft Punk, e uma ajudinha providencial do Chemical Brothers, os ícones da cena francesa, como Mr. Oizo, Les Rythmes Digitales, Alex Gopher, Cassius, Etienne de Crecy, Justice (???) e muitos outros ainda estariam suando a camisa para mostrar o quanto são bons (exceto Justice, uma grande emulação afetada do Daft Punk).
PSs (vários):
1- O Stardust usou um sample de uma música do Chaka Khan no single Music Sounds Better With You. Talvez essa tenha sido a fórmula do sucesso:
2- O Bangalter manda muito bem nas escolhas dos samples para suas produções (vale a pena dar uma pesquisada). Por outro lado, como todo ser-humano, as vezes ele erra. Exemplo? A música do (bizarro) vídeo abaixo foi usado para um famoso single (não vou falar qual é!):
3- O Chemical Brothers ajudou bastante na projeção internacional do Daft Punk. Eles tocavam as faixas Da Funk e Rollin´ & Scratching (ambas do Homework) em seus (ótimos) Dj Sets e encomendaram um remix para a música Life Is Sweet, do álbum Exit Planet Dust (1995):
4- A trilha sonora do filme Irreversível (2002), dirigido por Gaspar Noé, é assinada por Thomas de Bangalter. Recomendo ouvir.
5- Sim, eu realmente acho o Justice uma emulação afetada do Daft Punk. Já tentei gostar várias vezes, mas não consigo encontrar nada criativo no som dos caras. Um grande déjà vú...
Além disso, o que significa aquele beijinho duplo na cruz?
E aquela emaranhado de fios, equipamentos análogicos e amplificadores Marshall que ficam à vista do público? Impressionante, não?
Não, nada impressionante... Aquilo não serve para NADA! É tudo estética! O set up dos caras é 100% digital, cabos USB e laptops! Não estou mentindo:
6- O outro integrante do Daft Punk, Guy-Manuel de Homem-Cristo, é mais apagadinho (e baixinho), embora tenha feito alguns projetos solos.
7- Para mim, o melhor da música eletrônica francesa é o Mr. Oizo. Ele é igual ao Forrest Gump na sua fase cooper:
8- O Thomas de Bangalter mora em Beverly Hills com a sua mulher , a atriz Élodie Bouchez e seus dois filhos, Tara-Jay e Roxan...
Porque pessoas famosas dão nomes bizarros aos filhos?
9- A mulher do Bangalter é beeeeeem bonita:
10- O pai de Bangalter, Daniel Vangarde, foi uma figura importante para a disco music. Foi membro do Gibson Brothers, Santa Esmeralda e autor do hit D.I.S.C.O:
11- Post em homenagem ao André e a Chants, que estão rumando para a França logo menos! Boa sorte lá, casal!
Eu me lembro de estar andando pelas ruas de Montevidéu (Uruguai) com o meu irmão e entrarmos em uma livraria pitoresca na região em que estávamos hospedados. Era 1997 e os dois colecionávamos livros de arte da editora Taschen.
Nesta livraria, encontramos um volume da coleção que nunca havíamos visto no Brasil. A capa era assustadora e o estilo dos desenhos nos remetia a algo que já havíamos visto antes, mas não conseguíamos nos lembrar de onde vinha tanta familiaridade.
Dormir naquela noite foi impossível... Em parte por medo dos desenhos, em parte pela curiosidade do artista em questão. O mesmo havia acontecido com o meu irmão.
No dia seguinte, fomos atrás do livro responsável por aguçar nossa curiosidade e o compramos. Ao folhear um pouco o seu conteúdo, tivemos uma epifania.
O artista em questão era ninguém menos do que o criador do monstro e do cenário do filme Alien (1979), dirigido por Ridley Scott.
Seu nome era Hans Ruedi Giger e ele ganhou um Oscar por isso.
Classificar os desenhos de Giger, nascido na Suíça em 1940, como fantasmagóricos, góticos e surreais não é suficiente. Há algo diabólicamente vivo em suas criações...
Estou exagerando? Vejamos alguns exemplos:
O desenho acima (Necronom IV, 1976) foi escolhido por Ridley Scott como ponto de partida para o desenvolvimento do Alien como o conhecemos:
Além de sua criação mais famosa, Giger fez inúmeras capas de discos, como o Brain Salad Surgery (1973) do Emerson, Lake and Palmer:
A quase nada polêmica capa do álbum To Mega Therion (1985), do Celtic Frost:
O aclamado disco solo da Debbie Harry, Koo Koo (1981):
O pôster interno do disco Frankenchrist (1985), do Dead Kennedys (processo jurídico por obscenidade):
Fim da parte 1
PSs:
1- Até hoje imagino qual seria a minha reação ao deparar com um Alien babando em cima minha da cabeça. Eu tenho mais medo disso do que da morte em sí, ou de falar em público.
Freddie Kruger, Hellraiser e Jason são apenas animadores de festas infantis perto desta criação de Giger.
2- O original do Brain Salad Surgery (Emerson, Lake and Palmer) sumiu em 2005 após uma exposição em Praga. Caso tenha alguma informação que leve à pintura, você poderá ganhar U$10.000. É sério!