
Prestes a entrar no mundo profissional, quantas vezes não escutamos o seguinte conselho: “cuidado... o mundo lá fora é cruel”.
Gostaria de saber que mundo é esse. Que porta essas pessoas abriram para estarem “lá fora”? Ingressamos ao mundo somente quando começamos a trabalhar?
Se o ultimo questionamento é verdadeiro, para que serviram as aulas de história no período escolar? Serviram exatamente para nos mostrar o grau de crueldade deste mundo. O passado continua a nos ensinar que a humanidade é impiedosa, injusta e atroz.
Portanto, gostaria de pensar que o “mundo” a que essas pessoas se referem é aquele lugar logo após o nascimento, no qual somos forçados a enganar a nós mesmos na tentativa de criar um sentido para vida. O “mundo lá dentro”, por sua vez, refere-se à projeção de um ambiente mais pacífico e menos sádico.
Antes de adentrarmos neste “mundo lá fora”, estávamos entorpecidos pelo líquido amniótico contido no confortável útero de nossas mães. A bolsa se rompe e não há mais volta.
Por sinal, esta é a idéia por trás da capa do álbum Nevermind (1991) do Nirvana. A nota de 1 dólar é a maçã responsável por persuadir o feto a sair do éden uterino.
Este é o motivo pelo qual Kurt Cobain tirou sua própria vida. Ele não queria abandonar a segurança gerada pelo do útero da sua mãe. Quando saiu, não conseguiu criar falsos significados para arcar com sua existência. A fotografia de sua desilusão com a vida está no seguinte verso da música All Apologies:“ I wish I was like you. Easily amused”.O álbum seguinte a Nevermind dá continuidade ao processo de desengano de Kurt Cobain e revela a sua negação em aceitar as regras do jogo. O título do disco, por si só, já revela o seu divórcio com o mundo: In Útero (1993).

PSs:
1-Embora no título do post esteja escrito "Parte 1", não há "Parte 2". Eu fiz isso porque (ainda) não consegui pensar em nenhuma conclusão.
2-Post pesado, né? Vou dar uma suavizada:


4 Não Concordo: