segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Programando Leads Parte 1

O que é

A melhor tradução para Lead é "condutor". É a linha de frente da música eletrônica, muitas vezes a melodia principal. Por isso, deve-se gastar muito tempo para chegar no timbre certo  da sua música.

O melhor exemplo de lead é o timbre distorcido de Da Funk do Daft Punk (sim! Nós vamos fazer esse timbre!).

Timbres de lead são praticamente infinitos. Varia de acordo com a música e aí entra a expertise em criar um timbre diferente e original.

Pontos de Partida

1-Usar ataque rápido no Envelope do Amp e Filtro, de forma a permitir que os harmônicos (com forte ênfase nos médios do espectro) sejam introduzidos logo de cara.

2-Usar osciladores com bastante conteúdo harmônico (principalmente onda quadrada e dente de serra) e em uníssono.

3-LFOs e outras modulações são essenciais para adicionar movimento ao som.

4-Para ter um timbre de peso, não se contente apenas com um som. Use camadas (outros timbres semelhantes, mas com pequenas variações em alguns parâmetros), use camadas com transposições em oitavas ou quintas, uss distorção, resample, etc... Aqui a criatividade manda.

Criando um Lead Genérico


Abaixo, alguns pontos de partida para timbrar Leads

Vale lembrar que, se você não usa o Logic, não terá o ES2, mas basta copiar os parâmetros no seu synth de preferência.

1-
2-
 3-
 4-


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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Programando Pads Parte 2

Continuando a série, vamos criar alguns sons de pads. Vale ressaltar que nada aqui é uma receita de bolo, mas sim um ponto de partida para você fazer os seus próprios timbres.

Também recomendo dar uma olhada nos famosos e característicos pads dos sintetizadores Junos da Roland. Existe um plugin excelente e gratuito da Togu Audio Line chamado U-NO-62 que emula a série e possui alguns ótimos prestes de pad.

Ah! E o chorus que vem com os Junos são poderosos e deixam qualquer pad em outro nível.



Pad "Sobe e Desce" (tradução "Sessão da Tarde" minha para "Rise And Fall Pad")

O nome do timbre se dá devido ao comportamento do filtro (abre/sobe e fecha/desce lentamente)

Osciladores
Dois dentes de serra desafinados em + ou - 3 centésimos de tom.

Amp Envelope
-Ataque rápido
-Decay curto
-Sustain medio
-Release longo

Filtro
Low Pass com Cut Off e Ressonância baixos

Filter Envelope
-Ataque longo
-Decay longo
-Sustain zero
-Release curto
-Modulação 100% positiva

Modulação
Key Follow modulando o filtro.
100% positivo

Pad com Ressonância


Osciladores
Triangulo e quadrada desafinados em + ou - 5 centésimos de tom

Amp Envelope
-Ataque rápido
-Decay curto
-Sustain medio
-Release longo

Filtro
Low Pass com Cut Off baixo e Ressonância em cerca de 3/4

Filter Envelope
-Ataque longo
-Decay curto
-Sustain longo
-Release longo
-Modulação 100% positiva

Modulação 
-Pitch da onda triangular com um LFO senoidal com depth (profundidade) médio e rate (taxa) baixa. Isso dá o toque analógico ao timbre.
-Key Follow modulando o filtro.
100% positivo

Pad "Rodopiador" (outra tradução "Sessão da Tarde" para o "Swirling Pad")

Osciladores
Duas Dente-de-Serra desafinadas em - 5 centésimos de tom e uma onda triangular desafinada em +6 centésimos de tom

Amp Envelope
-Ataque medio
-Decay curto
-Sustain medio
-Release medio

Filtro
-Low Pass quase fechado com Cut Off baixo e Ressonância na metade

Filter Envelope
-Ataque curto
-Decay longo
-Sustain medio
-Release curto
-Modulação 100% positiva

Modulação 
-Pitch de uma onda dente de serra modulado por um LFO com onda quadrada. Depth médio e Rate baixo. 

Efeitos
Chorus (o próprio ES2 tem um, no canto direito do synth) seguindo de Phaser.

Pad Magro (Thin Pad)
Perfeito para servir como papel de parede na sua música.

Osciladores

-Uma onda quadrada/retangular (PWM)

Amp Envelope
-Ataque medio
-Decay curto
-Sustain medio
-Release medio

Filtro
Low Pass ou High Pass (se você quiser um som mais brilhante). Não há necessidade de um envelope para o filtro.

Modulação 
-LFO com dente de serra ou senoidal modulando a largura de banda (PWM) da onda quadrada. Depth e Rate baixos.
-LFO com com onda triangular modulando o filtro. Depth medio e Rate baixo.



Outros timbres de pads

Abaixo alguns presets que fui desenvolvendo ao longo do tempo.

Pad Sempre Útil

Pad Magro 2
Pad Maluco


Pad LFO

Organ Pad


Solina 1

Solina 2

String Pad 1

String Pad 2

String Pad 3


 Sweep Pad


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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Programando Pads Parte 1

O que é
Pad é um timbre com o sustain bastante definido. 

Por ser mais estático (normalmente tocando em semibreves e mínimas), dá profundidade à música, reforça a harmonia e preenche buracos de frequência.  

Muitas vezes ele nem chega a ser notado no arranjo. Porém, se retirado, deixará um buraco na música. 

Seu som remete à cordas, orgãos e afins. O duo francês Air usa bastante a série Solina da Arp (synths especializado em emular cordas). Quase uma assinatura da banda. 

Repare no uso perfeito do Envelope na introdução e em como ele sustenta a harmonia no minuto 1:52.

Outro exemplo é o começo de West End Boys do Pet Shop Boys. Repare como o pad cria uma atmosfera intensa na introdução.


Tipos de Pad
O tipo de pad a ser criado depende muito do estilo da música. O maior desafio é deixar o pad estático, mas com movimento. 

Por isso, sintetizadores analógicos, com a famosa instabilidade na afinação, são indicados para timbrar pads.

Somado a isso, você pode usar um LFO e/ou um envelope para modular o pitch e o filtro.

Timbrando um pad genérico

Amp Envelope
-Ataque Médio
-Decay Longo
-Sustain um pouco abaixo do Decay
-Release médio (de acordo com o tempo da música)
Filtro
-Low Pass praticamente fechado e modulado por um envelope responsável por abrir gradualmente o Cut Off, expondo os harmônicos, ao longo do tempo. Ressonância é opcional.


Envelope do Filtro (modulação positiva e 100%)
-Ataque longo
-Decay curto 
-Sustain curto
-Release longo

Osciladores
Pela necessidade de bastante conteúdo harmônico, recomenda-se combinar osciladores e desafiná-los.

Um bom ponto de partida é desafinar duas ondas Dente de Serra, Triangular ou Quadrada por volta de -3 a -5 centésimos de tom (criado o efeito Phaser).

Se precisar de mais harmônicos para preencher frequências, recomenda-se usar um terceiro oscilador diferente dos outros dois já usados. Desafinar em +5 centésimos de tom.

Modulação
Um LFO com onda triangular, senoidal ou dente de serra modulando bem pouco o pitch de um dos osciladores.

A foto abaixo,  também ilustra a modulação do Filtro pelo Envelope 2.


TIMBRE COMPLETO
PS: 

1-Uma técnica muito comum para deixar o pad com mais movimento é inserir um compressor no seu canal e usar um bumbo no side-chain (falarei sobre isso mais para frente), criando o famoso efeito Pumping. 

O som é mais ou menos esse (minuto 1:10):

2- Gated Pad é uma técnica bem desgastada pelo Trance
Em outras palavras, um clichê...

Trata-se de um pad com um noise gate automatizado ( em geral por um ritmo de hit hat no sidechain do gate por exemplo) de forma a criar um movimento ritmico. 

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Dicas na hora de timbrar um sintetizador

Antes de começarmos a programar timbres (próximo post: "Programando Pads"), é importante enumerar alguns pontos a serem considerados na hora de timbrar.

1- Ouça o timbre em toda a extensão do teclado. As vezes, um timbre soa ruim em uma oitava baixa e maravilhoso em uma oitava alta - e vice-versa. 

Evite ficar apenas no Dó Central (middle C).

2-Envelope, LFO, efeitos e afins podem mudar bastante o tipo de timbre. Mexer no Amp Envelope, por exemplo, pode mudar o timbre de um pad para um baixo, por exemplo.

3-Deixe programado alguns loops midi (acordes, linhas de baixo, etc) contemplando diversas oitavas e frases e foque apenas no timbre (suas mão estarão livres para isso, uma vez que você não terá que tocar o teclado).

4-Uma vez que você achou a combinação certa dos osciladores para o timbre que você tinha em mente, vá direto para o Amp Envelope para moldar o volume geral do timbre e só depois ajuste o filtro e ressonância.

Isso se dá porque o Amp Envelope possui uma forte influência na linha tocada.

5-O transiente inicial de uma nota (ataque) é fundamental para definir o timbre. Um ataque zero deixará o som do sintetizador na frente da música, enquanto um ataque mais relaxado servirá como uma cama/pano de fundo para a música.

Timbres com um ataque rápido dá a impressão de serem mais alto. E timbres com ataque, decay e relase rápidos (com a característica "stabby" - perfurante) torna essa impressão ainda maior.

Porém, não caia na tentação de deixar todos os seus timbres "stabbys". O contraste de sons e extensões é importante. Procura combinar timbres com rápido ataque e relase; rápido ataque e release mais lento; lento ataque e rápido release, etc...

6-Não subestime o LFO. Ele ajuda a dar movimento para o timbre, deixando-o menos estático. Uma boa ideia é substituir o Envelope do Filtro por um LFO.

7-A oferta de sintetizadores (tanto virtuais como reais) é infinita. O meu conselho é: pegue apenas um modelo de sintetizador e aprenda a mexer nele por completo, de dentro para fora. Só depois pesquise e vá atrás de outros synths. 

Sugiro começar com o ES2 do Logic. Ele é completo, possui um ótimo som e abrange diversos tipos de síntese.

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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Aldo, The Band no Beco 203

E esse poster sensacional feito pela Carla Barth?

Dia 22/09
19 Horas
Beco 203 (Rua Augusta, 609)
Grátis!
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sintese e Sintetizador Parte 5: Moduladores

É nessa parte que as possibilidades começam a ficar infinitas e os sintetizadores começam a produzir todos os tipos de sons inimagináveis.

Na verdade, um modulador quase nunca produz som próprio. Ele serve para automatizar parâmetros dos sintetizadores, como osciladores, filtros e até outros moduladores.

Os moduladores são essenciais para adicionar mais movimento ao som.

Abaixo, destaquei os principais moduladores.

LFO
LFO significa Low Frequence Oscilator (Oscilador de Baixa Frequência) e é uma das modulações mais legais na síntese.

O LFO é um oscilador, mas a frequência que produz é inaudível para o ouvido humano (abaixo de 20Hz). Porém, ele pode servir para modular diversos parâmetros de uma forma que o envelope não é capaz, como por exemplo abrir e fechar o filtro 18 vezes por segundo (um LFO com um rate de 18Hz).

Existem várias formas de onda no LFO e elas podem mudar drasticamente o timbre de um som. As mais comuns são senoide, dente de serra, triangular, quadrada e sample & hold (randômico).

É através do LFO que você cria o efeito do vibrato (LFO modulando o pitch) ou tremolo (LFO modulando o volume).

A intensidade da modulação se dá por meio do parâmetro Depth (profundidade). Este parâmetro determina quanto o LFO influenciará no destino da modulação.

O LFO também pode modular outros moduladores.

Envelope
Eu falei sobre envelopes no post anterior e vale a pena dar uma relida. 

No caso da modulação, um envelope pode ser usado para modificar a ação de um filtro, por exemplo, mudando a característica tonal do timbre enquanto você toca o sintetizador. Em outras palavras, é  uma forma de "automatizar" uma designada ação para o filtro.

O envelope também pode ser usado para modular o pitch do oscilador. Teste isso no seu synth e divirta-se.

Velocity/Aftertouch/Teclas do Teclado/ModWheell

O Velocity, neste caso, é a força com que as teclas de um sintetizador são pressionadas. Portanto, não necessariamente lida apenas o volume do som. Eu posso usar o Velocity para determinar a intensidade com que um filtro abre.

Por exemplo: se toco forte a tecla, o filtro abre mais do que se eu toco com uma intensidade menor ou vice-versa.

Eu também posso usar o Velocity  para determinar o Depth da modulação. 

Na foto abaixo, os dois Cut Offs do ES2 estão sendo modulados pelo Envelope 2. O Velocity (Velo) é que determinará quando o filtro será modulado pelo Envelope. A linha verde no lado direito é o alcance do Depth definido pelo usuário.



O mesmo vale para Aftertouch (depois do toque). Uma vez com a tecla pressionada, você continua apertando-a de forma a continuar com uma modulação. 

Não são todos os teclados ou sintetizadores que possuem essa função). O aftertouch costuma ser bastante usado para efeitos de vibrato e tremolo, mas pode modular praticamente qualquer parâmetro de um sintetizador.

A roda de modulação (ModWheell) é quase padrão em teclados e sintetizadores e pode ser designada para modular qualquer paramento. Seu uso mais comum é para abrir o filtro, controlar a velocidade de um LFO e vibrato.

Síntese FM
O oscilador pode modular um outro oscilador. Como a velocidade da modulação é alta e audível, não percebemos o som com duas coisas distintas mas como uma coisa só.

Em outras palavras, pelo fato da modulação de um oscilador ser muito rápida, não há a noção de movimento característica de um LFO, mas sim a de um timbre novo.

O resultado é um som muitas vezes metálico e característico da Síntese de Frequência Modular. 

Falarei de FM em um outro post, mas de antemão, os timbres de FM são muito úteis para sintetizar sons de sinos e brilhantes, além de efeitos malucos. 

Os melhores resultados para um timbre legal de FM se dá com a desafinação ímpar da razão entre os osciladores, gerando mais harmônicos.

Sync

Um som clássico de sintetizador, muito usado pelo The Cars (patch 33 do Prophet-5) e pelo No Doubt na música abaixo.




O Sync permite com que um N número de osciladores sejam forçados a recomeçar o seu ciclo em função de um oscilador principal (em geral o primeiro oscilador). 

Dessa forma, não importa aonde os outros osciladores estejam, se o primeiro oscilador começa o seu ciclo, os outros são forçados a recomeçar.

Principais Parâmetros de Modulação
A intensidade da modulação é bi-polar, ou seja, eu posso modular um filtro com um envelope de forma positiva ou negativa (o exato inverso da modulação positiva).

Conclusão

O volume de conhecimento sobre síntese é infinito. Procurei abordar apenas os principais tópicos para todos poderem entender melhor como chegaremos nos sons que vamos criar nos próximos posts.

Agora que a bagaça vai ficar interessante!
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Sintese e Sintetizador Parte 4: Envelopes (bônus: sintetizando um bumbo eletrônico)

Tá difícil manter um volume regular de posts devido a viagens e correrias, mas não desisti! 

Continuado a série, o assunto desse post será Envelopes.

Depois de esculpido o som por meio dos osciladores e filtros, a etapa final do processo é o VCA (Voltage Controlled Amplifier, ou, Amplificador Controlado Por Voltage).

A teoria é tranquila, mas é com a pratica que você vai pegar as nuances de cada parâmetro do envelope.

Teoricamente, deveria falar sobre modulação antes de falar sobre VCA, mas o VCA nada mais é do que uma forma de modulação (no caso, os parâmetros ADSR modulando o volume geral do sintetizador).

O que é

O VCA foi criado para emular as nuances de um instrumento real. Tudo isso é controlado pelos 4 parâmetros dentro do envelope, o famoso ADSR, ou Attack (Ataque), Decay (Decaimento), Sustain (Sustentação), Release (Repouso).

São raros os instrumentos que começam e terminam de gerar som imediatamente (parâmetro conhecido com Gate em alguns sintetizadores, como no Juno 106). 

Como Funciona

Ao pressionar uma tecla de um piano clássico, por exemplo, você ouvira o som da nota imediatamente (Ataque rápido) e, após uma rápida queda de volume (Decay), mantendo a tecla pressionada, você continuará ouvindo o som (Sustain). Ao soltar essa tecla, o som irá sumindo aos poucos (release médio).


Parâmetros

Attack
Define como a nota começa quando a nota é pressionada. Em outras palavras, quanto tempo demora para o som ir do silêncio para o volume total. Um instrumento repercussivo, como uma caixa de bateria, por exemplo, tem um ataque quase zero (podemos chamar este fenômeno de transiente, mas falarei mais sobre isso lá na frente).

Decay
No exemplo do piano, ao pressionar uma nota, temos um ataque rápido e definido, bastante percussivo, mas cujo volume decai rapidamente para um volume menor enquanto a nota é mantida pressionada (Sustain).

Sustain
Determina o volume da nota enquanto a tecla é pressionada. Se este parâmetro estiver no máximo, não haverá decay. Teste isso no seu synth.

Release
É o tempo que demora para o som sumir depois que a nota é solta (release em inglês). Se o parâmetro é zero, o som sumirá imediatamente após soltar a nota.

Outros Parâmetros
O ADSR não necessariamente é linear e, em alguns sintetizadores você pode controlar se você quer um ADSR mais côncavo ou mais convexo. Se você tiver um sintetizador com essas características, teste! As mudanças são bastante radicais.

O envelope não apenas controla o volume geral de um sintetizador, mas também o filtro, o pitch, a forma como um LFO acelera e desacelera, enfim. É um recurso que você poderá encontrar em várias etapas da síntese.

Exemplo: sintetizando um bumbo eletrônico (Kick)

Antes de encerrar o post gostaria de fazer um exercício bem legal. Vamos timbrar um bumbo eletrônico com o ES2 do Logic. Isso vai ajudar bastante a entender o que é e como usar o envelope, além de ser muito útil, uma vez que o seu kick ficará no tom da música.

Se você não usa o Logic, praticamente qualquer sintetizador é capaz de fazer o mesmo.

1-Abra o ES2 no Logic, e deixe o patch zerado - deixe apenas com um som de senóide pura, sem filtros. 

Copie os parâmetros abaixo e, aproveite para salvar esse preset no logic como "Patch Zerado" ou algo assim. Vamos usar essa senóide como oscilador (Oscilador 1, iluminado em verde).


2-Não entramos ainda em modulação, mas module em 100% positivo (flecha verde para cima) o pitch desse kick (Target/Alvo) com o Envelope 1 (Source/Fonte. O Envelope 1 só possui os parâmetros Attack e Decay). 

Essa modulação é necessária para criar o clique inicial do kick. Quanto mais para o centro a flecha verde, menor a modulação. 



4-Copie os parâmetros do Envelope 1 abaixo. No caso, o pitch da senoide está sendo modulado em 100% por um envelope rápido.


3-Agora vem a hora de mexermos no Evelope do Amplificador (Envelope 3 no ES2). Copie os parâmetros abaixo e comece com um Decay de 300ms e um rápido Release de 15 ms (sempre que você ouvir algum barulho indesejável - como um estranho clique - ao timbrar um instrumento, veja se o Release não está 100% fechado. Se estiver, abra um pouco).  


4-Toque ou programe (melhor) uma nota grave (C0, por exemplo). 

5-Mexa com o Decay para baixo e veja como o kick fica mais seco e com mais punch, enquanto com um decay mais alto, você tem um kick mais pronunciado. 

Suba o decay até o final. Agora o Sustain não tem nenhum efeito no som. Faça o inverso (suba o sustain e zere decay). Mesma coisa. Mexa nos parâmetros e divirta-se!

6-Uma coisa muito style, que vai deixar o seu kick foda e bizarro é colocar muita distorção nele. O ES2 tem uma distorção embutida. Não tenha medo e enfie a mão nesse parâmetro.


PS:

1-Falei em algum post do passado sobre os synths do Rob Papen e o quanto eles são revolucionários. Pois bem, o Predador possui um envelope que pode ser sincronizado com o tempo da música. Nunca vi isso em nenhum outro lugar e a utilidade disso é surreal.







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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Síntese e Sintetizador Parte 3: Filtros

Continuando a série, o post abordará filtros. Você poderá encontrar o termo VCF (Voltage Controlled Filters. Filtros Controlados Por Voltagem) no seu sintetizador.

Um conceito interessante e não muito complexo que ajuda a entender melhor esta etapa na síntese é hertz e o campo de audição humana. Novamente, precisarei de um post sobre para isso (quando falar de equalizadores), mas por hora, esse artigo da Wikipédia ajuda muito.

Introdução

O filtro de um sintetizador é o principal motivo para a síntese ser chamada de subtrativa, ou seja, você cria um som rico em harmônicos combinando osciladores e irá usar o filtro para remover essas frequências.

Por isso, se você usar como oscilador apenas uma senoide (frequência fundamental, sem nenhum harmônico) combinado com filtro, o resultado será "sem som", uma vez que você filtrou a única frequência disponível. Porém, combinado com outros osciladores, a senoide é muito útil para criar sub-bass, adicionando corpo para o timbre.

Esse foi um conceito muito difícil para entender quando estava estudando síntese. Porque adicionar para depois subtrair?

Bom, o que me fez entender bem isso foram os moduladores (próximo post). Outro ponto que me ajudou a entender é que cada sintetizador possui um filtro específico e muitos afirmam que a personalidade de um sintetizador específico se dá exatamente pelo filtro.

Por exemplo, os clássicos filtros dos sintetizadores Moog possuíam um circuito bem diferente para a época, conhecido como "filtro escada" ("ladder filter"). Não entendo muito de circuitos, mas o nome se dá pela forma de escada em que os componentes ficavam dispostos no circuito.
 Outro exemplo é o filtro do Korg MS-20, conhecido por ter um filtro agressivo e abrangente.

Tipos de filtro e Cut-Off (ponto de corte)
Existem cada vez mais tipos de filtros, mas os principais estão listados abaixo. O botão (knob) usado para filtrar as frequências chama-se Cut-Off.

-Low Pass (passa baixa)
 O mais usado nos sintetizadores. Ele é responsável por subtrair as frequências altas. Em casos extremos, com o filtro quase 100% fechado, você só ouvira as frequências sub-graves.

O motivo de ser amplamente usado se dá ao fato dele ser capaz de remover os overtones ("Tons Acima". Frequências acima da fundamental) sem alternar a frequência fundamental.


-High Pass (passa alta)
O contrário do Low Pass. Começa removendo as frequências baixas e só deixa as agudas. Menos útil (em termos de timbre) que o Low Pass pois retira a frequência fundamental e deixa apenas os overtones. Porém, muito útil para criar efeitos.

-Band Pass (passa banda)
 A combinação do High Pass com o Low Pass. O Daft Punk usa muito, além do trip-hop e do lo-fi. Você fica apenas com o centro do espectro de frequências, removendo os extremos.
 
-Notch/Band Reject (Rejeita Bandas) e Peak (Pico)

Atenua ou aumenta (peak) uma seleção específica de frequências, criando um "entalhe"/"furo" (notch) no som. Bom para retirar ou enfatizar frequências específicas que estão atrapalhando o som como um todo.

Abaixo, exemplos de Band Reject e Peak respectivamente 



-Comb Filter (Filtro Pente)
O Comb Filter trabalha com delay e feedback. Uma parte da saída do filtro recebe um atraso (delay) e entra novamente no filtro (feddback), causando uma série de cancelamentos de fase (falarei sobre isso).

O som é complexo e único, muito difícil de ser alcançado com os filtros tradicionais e muito raro de ser encontrado em sintetizadores clássicos (geralmente, você encontra em plugins ou unidades de efeito separadas).

Abaixo, usei o Absynth, da Native Instruments para ilustrar o exemplo (todos os outros exemplos foram usados com o ES2 do Logic, que não possui comb filter). O filtro aqui é modulado por um LFO.

Decaimento (slope)



O decaimento do filtro é o ângulo e a forma em que o filtro irá cortar as frequências. Os tipos de decaimento são 6 bB por oitava (primeira ordem ou "1-pole filter"), 12 dB por oitva (segunda ordem ou "2-pole filter") e 24 dB por oitava (quarta ordem ou "4-pole filter"). Existem filtros mais radicais que o de 4 ordem (36dB/Oct), mas são relativamente raros.

Um slope de 6 dB por oitava (filtro de primeira ordem, ou "1-pole filter) é um filtro suave e encontrado nas mesas de mixagem. Já o filtro de segunda ordem (12 dB/Oct) é mais encontrado nos sintetizadore vintage. Os filtros de 4 ordem são os mais mais radicais, produzindo fortes mudanças no timbre e dando uma característica mais sintetizada e menos "natural" ao som.

O slope escolhido (quando há a opção) influencia bastante no timbre do som que você quer. Por exemplo: se você  usar um slope de 4 ordem em um pad com o filtro sendo modulado por um envelope ou um LFO, o pad terá mais destaque no arranjo da música do que se você usar um filtro com um slope de 12 dB/Oct.

Em alguns sintetizadores, não é possível mudar o slope do filtro. Ele já é padrão. 

Nos exemplos abaixo, Filtro Low Pass indo de 100% aberto para 100% fechado com um slope de 12 db/Oct e 24 dB/Oct respectivamente.


Resonance/Peak (Ressonância/Pico)

A ressonância cria um pico no ponto de cut-off, enfatizando as frequências que estão próximas do ponto de corte. Em outras palavras, é a quantidade da saída do filtro que é realimentada na entrada no filtro (feedback).

Em alguns sintetizadores, se você enfatizar essa ressonância (virando o knob 100% para a direita), o filtro irá vira um oscilador (fenomeno chamado "self-oscilation" ou alto-oscilação). Resumindo, você não precisará dos osciladores para gerar um som. O próprio filtro produzirá uma senoide cuja frequência é exatamente o ponto de corte.

Isso é excelente para você criar aquele timbre clássico de disco music (peeeeew), além de bumbos eletrônicos e poderosos subgraves para baixo.

No Minimoog, a resonância chama-se Emphasis.

O som clássico de acid house se dá, em grande parte, pela agressiva ressonância de uma TB 303.


Combinando Filtros

Caso o sintetizador tenha dois filtros, é comum você encontrar a opção de juntar os filtros em série ou em paralelo.  Dessa forma, você pode ter dois filtros de 12 dB/Oct que, combinados, produzem um filtro de 24 dB/Oct, ou você pode usar um filtro de 12 dB/Oct para ser modulado e um filtro de 24 dB/Oct para moldar o timbre. 

O ES2 do Logic, por exemplo, possui dois filtros, que podem ser usados em série ou paralelo. Um com as opções Low Pass, High Pass, Peak, Band Reject e Band Pass e o outro um filtro Low Pass com slopes de 12 dB/Oct, 18 dB/Oct e 24 dB/Oct.
 


Keyboard Tracking/Key Follow ("rastreador do teclado")

Este parâmetro controla a forma com que o filtro irá se comportar de acordo com as notas tocadas (pitch).

Se este parâmetro está desligado, todas as notas terão a mesma quantidade de filtragem. Portanto, se estou usando um Low Pass, quanto mais agudo o registro, mais as notas soarão "veladas", uma vez que o filtro está retirando a mesma quantidade de harmônicos que as notas graves.

Se o Key Following for positivo, o quanto maior a nota, proporcionalmente, maior a frequência de corte, fazendo com que as notas mais agudas continuem com o brilho.

Se o parâmetro for negativo, temos o oposto. As notas agudas soarão ainda mais veladas do que se o parâmetro estivesse no ponto neutro.

O Key Following é muito importante quando você quer emular instrumentos reais. Instrumentos de sopro, por exemplo, possuem notas mais veladas nos registros mais altos do que nos mais baixos (Key Following Negativo).  Já um baixo cuja linha é bastante oitavada, um Key Following positivo pode adicionar mais variação para o ritmo. 

Nos exemplos abaixo, Key Following Positivo, Neutro e Negativo com um slope de 24 dB/Oct, Low Pass e filtro quase 100% aberto. 




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